sexta-feira, 9 de julho de 2010

CONCERTO NA CATEDRAL

CONCERTO NA CATEDRAL
À convite do bispo Dom Pedro Luiz Stringhine, por intermédio do vice-prefeito Ary Pedro Balieiro, a OSF faz concerto hoje, às 20h30 na Catedral, logo após a missa de encerramento do ano sacerdotal 2009/2010, que começa às 19h30 e reunirá 70 padres de Franca e região. No repertório da apresentação, constam obras sacras e Danças Húngaras de Brahms, com participação do soprano Priscila Cubero e do tenor Saulo Couto.
Dar cobertura aos instrumentistas para continuarem os estudos e melhorar cada qual a sua performance, elevando o nível da OSF (Orquestra Sinfônica de Franca), regida pelo maestro Nazir Bittar Filho. É com este objetivo que a musicista Lúcia Helena Garcetti Ribeiro assume a presidência da Associação Cultural da Região da Alta Mogiana, mantenedora da Orquestra. A nova diretoria tomou posse na noite de terça-feira, com uma cerimônia simples e alguns convidados no espaço cultural da Feac (Fundação para o Esporte, Arte e Cultura).
Realizada no dia 1º de junho, a eleição se deu por aclamação. Nos últimos quatro anos, a presidência da Associação ficou a cargo do advogado Nelson Barduco Júnior.

Aos 71 anos, Lúcia Helena Garcetti Ribeiro comemora 60 de carreira. A pianista é formada pelo Conservatório Dramático e Musical Carlos Gomes, de Ribeirão Preto, desde 1956, fundou o Instituto Musical Ars Nova, em 1969, e ainda coleciona três faculdades: Música, Educação Artística e Pedagogia. Entusiasta da Orquestra, Lúcia Helena confessa que assume o cargo com um pouco de medo. “É um trabalho novo, que nunca fiz, vou lidar com muita gente de idades variadas, de posição sócio-econômicas diferentes, mas assumo com muita vontade de acertar e estou muito bem assessorada, isso me passa certa segurança”, revela. Formam a diretoria Alexandre Carrijo Tasso (Conselho Fiscal), Eliana Cristina Pires Tasso (Secretária), Rita Maria Caetano Menezes, Cristina Tozzi de Deus (Conselho Fiscal), Roseli Melani Neves Costa (Tesoureira) e Vicente Luiz da Costa (Vice-pre-sidente).
Lúcia tem a seu favor muitos anos de experiência na área musical que a deixam bem a vontade. “Estou me sentindo em casa. Os músicos foram e são meus alunos. Além disso, minha amizade com o Nazir (maestro) é de pouco tempo, mas ele já é um grande amigo. Tenho muito respeito e admiração pela sua competência. Ele vem construindo esse trabalho com muita dedicação e amor. Tem hora que ele é professor, arranjador, maestro, ele não escolhe o que fazer e faz o que é preciso”, elogia Lúcia, enfatizando que não vai medir esforços em busca de melhorias para a OSF. “Todos os projetos a partir de agora serão direcionados aos músicos e ao trabalho desenvolvido pelo maestro. A ideia é financiar os estudos, aperfeiçoar os músicos, melhorar a qualidade dos instrumentos e consequentemente da Orquestra”.
Empolgada, a nova presidente revela que a OSF tem um importante compromisso em setembro. “Fomos convidados pela Wanira Tincani para uma apresentação na Feira da Música de São Paulo”, conta Lúcia.

Nazir Bittar encara a mudança da diretoria como uma nova fase da Orquestra. “Não só pela presidência estar nas mãos de uma musicista experiente, que é muito batalhadora, guerreira e tem espírito de adolescente, ou seja, é esforçada. Todos da diretoria já me apoiavam, são pais de músicos e têm ligação direta com a música”, resume o maestro.
Já Sérgio Menezes, diretor da Divisão de Cultura, acredita que a nova diretoria vai dar uma nova motivação e visibilidade para a OSF. “O trabalho do Barduco foi muito importante no início, principalmente para que a Associação pudesse abrigar a Orquestra e acredito que a administração da Lúcia será marcada por uma consolidação para a OSF”, afirma.
HISTÓRICO

A OSF (Orquestra Sinfônica de Franca) foi criada em agosto de 2007. Com uma postura inovadora, o maestro Nazir Bittar Filho assumiu a batuta um ano depois. A Associação Cultural da Região da Alta Mogiana - fundada em 2001 e que ficou inativa até 2007 - foi ativada para manter a Orquestra e sobreviveu aos trancos e barrancos até março do ano passado, quando a prefeitura de Franca assinou um convênio no valor de R$ 80 mil, sendo repassados R$ 8 mil mensalmente.

Isso só foi possível graças ao empenho do advogado Nelson Barduco Júnior, que atuou como presidente nos últimos quatro anos, estruturou e formatou toda a documentação para cumprir as exigências burocráticas, incluindo os moldes da Lei Rouanet e as leis de incentivo à cultura. Esse trabalho viabilizou recursos junto à iniciativa privada da cidade.

“O trabalho foi muito bom, mas também muito árduo porque trabalhar com cultura é muito difícil, ainda mais em Franca. Mas com a ajuda do empresariado francano e da municipalidade, graças a Deus a Orquestra conseguiu se erguer e está se mantendo até hoje. Se não tivesse verba, a sinfônica hoje não existiria”, esclarece Júnior, agradecendo a todos que colaboraram com a diretoria neste período. “Quero desejar que a sociedade continue apoiando a Associação porque a Orquestra não pode parar”, disse Júnior.

Atualmente a OSF possui 28 integrantes, muitos deles advindos do Projeto Guri. Cada músico recebe uma ajuda de R$ 150 por mês.

Batuta dos batutas
Premiou-me a vida feliz que vivo com uma noite de estrelas. Não foi o acaso colocando em meu caminho uma noite de arte e fé. Foi a evolução cultural de uma cidade por tantos anos na inércia passível do atraso e união para castrar ideias evolutivas, quando alheias. Foi também o desejo que sempre alimentei de incentivar o crescimento da arte, do amor, com igualdade das pessoas. Depois de muito tempo e gradual processo, posso vibrar eloquente com o estágio da cultura a que chegamos. Vencer a estagnação conservadora era necessário para evitar manter-nos ancorados em porto sem luz e futuro.

Uma linda comemoração ocorrida na última quinta-feira, acariciou a alma da população fortalecendo na sociedade a crença e amor à arte. A Catedral de Nossa Senhora da Conceição recebeu em sua nave para o Santo Ofício da Missa Solene em homenagem aos padres da Diocese por ocasião do encerramento do ano sacerdotal. Nos momentos que antecediam o ato religioso, seu oficiante – o bispo diocesano Dom Luiz Pedro Stringhini – circulava pela igreja em sua plena simpatia, coberto pelo solidéu, e revelava ampla humildade, recebendo cumprimentos de fiéis.

Ao iniciar-se a solenidade, destacou-se a entrada de toda a grei diocesana sob regência de seu instrumento maior, o Báculo – cajado –, insígnia usada pelo Bispo para demarcar o território de sua regência espiritual. Fiéis vivenciaram a beleza de uma celebração, onde contritos foram instados a rezar pelos padres no sentido de bem cumprir sua sagrada missão evangélica.
Dando sequência à excepcional noite de gala, uma récita de alto conteúdo cultural provocou enlevo dos presentes com a Orquestra Sinfônica de Franca. Esforço da imaginação e empenho de uma juventude francana, ela vem enriquecendo nossos costumes culturais através de uma erudição musical invejável. Alguns destaques de vozes foram registrados pela soprano Priscila Cubero e o tenor Saulo Couto interpretando W.A. Mozart, P. Mascagni, F. Schubert e C.F. Gounoud.

Dividindo conosco a cidadania, Nazir Bittar Filho, depois de largas experiências em erudição no campo musical, incluindo em seu berço de aprendizado a Alemanha, assumiu a regência de uma sinfônica para coroá-la com aplausos da comunidade. Sua linguagem com instrumentistas se processa clara como o é entre os bons maestros. Seus movimentos de mãos e braços são perfeita complementação de frases a promover entendimento pleno da sensibilidade.

Segundo o maestro Emanuel Martinez: “ A regência não é só marcar compassos, e sim um conjunto de ciências. Mesmo nas melhores orquestras do mundo, aquelas que poderiam tocar sozinhas, por tão precisas, é necessário a batuta de um maestro para dar o “sopro divino” que cria a alma e origina a vida da musica”. Obrigado Dom Pedro Luiz e Maestro Nazir Bittar Filho, pela noite de estrelas: batutas na batuta.

Garcia Netto

Jornalista

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